Ibovespa engata queda pressionado por Vale e deixa mais longe recuperação pós-efeito Lula; dólar sobe a R$ 5,84

Mercado mostra desempenho errático na esteira de um dia muito negativo; ainda no radar dos investidores, discussão sobre PEC Emergencial tem indefinições

O Ibovespa engata queda nesta terça-feira (9) pressionado pelas ações da Vale (VALE3), empresa mais pesada do índice com mais de 12% de participação, depois da queda de 10% do minério de ferro na China com restrições à produção no polo siderúrgico de Tangshan em meio a medidas anti-poluição.

Com isso, fica mais distante uma recuperação do benchmark da baixa de 4% na véspera em meio ao aumento nas incertezas sobre o cenário político por conta da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato.

Com isso, Lula recuperou seus direitos políticos e poderia se candidatar novamente à presidência da República em 2022.

No radar de hoje, os futuros dos índices dos Estados Unidos sobem com o Dow Jones estendendo os ganhos da véspera ao mesmo tempo em que o S&P 500 e o Nasdaq se recuperam das perdas do dia anterior, em que a principal notícia foi a aprovação pelo Senado do pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

A sessão da segunda-feira foi marcada por um claro rodízio de ações em que o capital migrou de papéis de empresas de tecnologia, que possuem fluxos de caixa mais longos e são mais impactadas pelo aumento nas taxas de juros de longo prazo, para ações de empresas em setores mais tradicionais, que são mais expostas ao ciclo econômico e, portanto, ganham mais com o reaquecimento da economia.

Por aqui, a Câmara dos Deputados enfrentou ontem dificuldades para fechar o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial depois da pressão do presidente Jair Bolsonaro para que haja mudanças no texto que foi aprovado no Senado na semana passada.

Segundo informações do Estado de S. Paulo, Bolsonaro tem a intenção de retirar policiais dos gatilhos fiscais que impossibilitam progressão de carreira e reajustes quando as despesas obrigatórias atingem 95% do Orçamento do ente governamental.

De acordo com a equipe de análise da XP Política, o Ministério da Economia e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), atuam para que Bolsonaro recue nos pedidos.

Entre os indicadores, o volume de serviços cresceu 0,6% em janeiro na comparação com dezembro, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mediana das projeções dos economistas para o indicador apontava para um avanço de 0,1% segundo dados compilados pela Refinitiv.

Às 10h25 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha queda de 0,98%, a 109.524 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 1,28% a R$ 5,8513 na compra e a R$ 5,8523 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra leves perdas de 0,19% a R$ 5,873.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe seis pontos-base a 4,05%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de 10 pontos-base a 5,87%, o DI para janeiro de 2025 avança nove pontos-base a 7,49% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de nove pontos-base a 8,10%.

Voltando aos EUA, as perspectivas de mais despesas do governo e de crescimento econômico mais rápido têm gerado temores de um aumento da inflação, o que levou os yields (rendimento) dos treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) de dez anos a máximas em um ano na véspera.

Juros de longo prazo mais altos podem fazer com que investidores migrem do mercado de ações para o de títulos do Tesouro, considerados um investimento seguro por ser garantido pelo governo, que tem poder de criar impostos para cobrir gastos, se necessário. Esse movimento tenderia a levar à queda de papéis listados nas bolsas.

Juros mais altos também aumentam o custo para tomada de empréstimos por empresas de rápido crescimento, que necessitam de grande volume de recursos, como é o caso daquelas do setor de tecnologia.

No entanto, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, afirmou nesta segunda-feira não esperar que a economia aqueça demais por causa do aumento dos gastos.

Hoje, por outro lado, os treasuries de 10 anos mostram queda dos seus juros de 1,6% na véspera para 1,537%.

Sobre commodities, na segunda o barril de petróleo Brent chegou a ultrapassar a marca de US$ 70 após a Arábia Saudita informar que instalações de petróleo foram alvo de mísseis e drones no domingo (7), em uma ação reivindicada por um porta-voz militar houthi.

Os sauditas afirmaram, no entanto, que não houve danos significativos à sua infraestrutura. Assim, os preços do petróleo recuaram nas negociações de overnight. Nesta terça, o barril Brent é negociado na casa dos US$ 69 o barril.

Já os mercados da China continental tiveram um segundo dia de fortes perdas, em meio à avaliação de que Pequim poderá agir para conter o avanço de dívidas e prevenir a formação de bolhas de ativos. Na semana passada, o governo chinês anunciou que irá buscar crescimento de mais de 6% este ano. A meta ficou bem abaixo das projeções de muitos economistas e foi interpretada como sinal de que Pequim poderá tomar iniciativas para gerenciar riscos ligados a dívidas.

Na Europa, por sua vez, destaque para os dados econômicos na região. A agência de estatísticas da União Europeia apontou que o Produto Interno Bruto nos 19 países que usam o euro caiu 0,7% na comparação trimestral, mais do que a estimativa inicial de 0,6%. Isso representa uma queda anual de 4,9%, menos do que a estimativa anterior de 5,0%.

Efeito Lula nos mercados

A sessão da véspera foi de forte queda para o Ibovespa, de 3,98%, e de alta de 1,67% para o dólar, como reação à decisão do ministro Edson Fachin, do STF, de anular as condenações do ex-presidente. A avaliação dos analistas é de que a possibilidade de Lula se candidatar à presidência em 2022 após a decisão amplia o risco eleitoral e a polarização política no país, o que traz mais pressão para os mercados.

Conforme destaca Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, os investidores enxergam um cenário extremamente polarizado para 2022, com um segundo turno quase certo entre o atual presidente Jair Bolsonaro e Lula. “Se o mercado se decepcionou com o Bolsonaro nas últimas semanas com a falta de agenda reformista, agora o que se enxerga para o ano que vem são dois candidatos que não são comprometidos com as reformas de ajuste fiscal”, avalia.

A Infinity Asset ainda aponta que “a decisão [de Fachin] traz mais um elemento para incrementar a saída – e pior – a não entrada do investidor estrangeiro, devido à insegurança jurídica, institucional, onde um cenário como tal, o respeito a contratos não passa de uma mera formalidade a ser superada pelos desejos do Judiciário. Além de tudo, o ‘elemento Lula’ é disruptivo, pois alimenta a polarização da discussão política no Brasil e ainda, traz dúvidas sobre a perenidade das
possíveis reformas ainda a serem aprovadas no legislativo e àquelas já formalizadas desde o mandato de [Michel] Temer”, aponta.

Cabe destacar que o quadro do mercado acionário já era tenso, com a má avaliação sobre a gestão da pandemia do coronavírus pelo governo, rápido aumento do número de contaminações e mortes e sinais de ingerência em estatais, com a demissão do presidente da Petrobras Roberto Castello Branco e a indicação do general Joaquim Silva e Luna.

Sobre commodities, na segunda o barril de petróleo Brent chegou a ultrapassar a marca de US$ 70 após a Arábia Saudita informar que instalações de petróleo foram alvo de mísseis e drones no domingo (7), em uma ação reivindicada por um porta-voz militar houthi.

Os sauditas afirmaram, no entanto, que não houve danos significativos à sua infraestrutura. Assim, os preços do petróleo recuaram nas negociações de overnight. Nesta terça, o barril Brent é negociado na casa dos US$ 69 o barril.

Já os mercados da China continental tiveram um segundo dia de fortes perdas, em meio à avaliação de que Pequim poderá agir para conter o avanço de dívidas e prevenir a formação de bolhas de ativos. Na semana passada, o governo chinês anunciou que irá buscar crescimento de mais de 6% este ano. A meta ficou bem abaixo das projeções de muitos economistas e foi interpretada como sinal de que Pequim poderá tomar iniciativas para gerenciar riscos ligados a dívidas.

Na Europa, por sua vez, destaque para os dados econômicos na região. A agência de estatísticas da União Europeia apontou que o Produto Interno Bruto nos 19 países que usam o euro caiu 0,7% na comparação trimestral, mais do que a estimativa inicial de 0,6%. Isso representa uma queda anual de 4,9%, menos do que a estimativa anterior de 5,0%.

 

Por Ricardo Bomfim – Infomoney