A primeira fase do open banking, que vai garantir aos clientes de todas as instituições financeiras a portabilidade de dados, já é alvo de uma “guerra” entre bancos e fintechs, como noticiou a Folha de S. Paulo na última sexta-feira.

A estreia do novo sistema, que é complementar ao Pix do Banco Central, ainda está prevista para 30 de novembro, mas os bancos fazem pressão para que a primeira fase passe para janeiro e fevereiro do ano que vem, o que contraria as fintechs.

O Banco Central formou um conselho deliberativo para o open banking, formado por bancos, cooperativas, fintechs e outras entidades financeiras, formado por seis cadeiras com direito a um voto cada uma.

Os bancos, liderados pela Febraban, pediram o adiamento do lançamento do sistema, o que gerou mal-estar. Do outro lado, as fintechs, representadas pela ABFintechs e pela Associação Brasileira de Crédito Digital, questionaram a iniciativa.

Apesar do pedido dos bancos, a Febraban desconversa e não confirma a informação na matéria:

“O acompanhamento do ritmo do cronograma está sendo feito por todas as entidades com assento no conselho deliberativo que, juntamente com o Banco Central, estão discutindo a viabilidade de cumprimento do cronograma previsto para novembro”

Segundo a matéria, a maioria das informações serão compartilhadas dos bancos para as instituições menores, majoritariamente as fintechs que preparam plataformas para agregar dados financeiros dos clientes, e fontes do setor bancário dizem que as instituições “não estão prontas” para preparar seus sistemas para a mudança.

Além disso, há preocupação com a segurança dos dados e com a infraestrutura atual, que também não estariam totalmente adaptada para o open banking no fim de novembro.

As fintechs argumentam que os bancos não terão que fazer grandes adaptações e defendem o lançamento do sistema o mais rápido possível, “porque enxergam na nova ferramenta uma forma de igualar oportunidades de concorrência” com as grandes instituições.

Segundo o Banco Central, o pedido dos bancos foi recebido e está em análise, ainda sem resolução. Apesar das grandes instituições afirmarem que as APIs – que vão disponibilizar dados financeiros de forma padronizada – ainda não estão desenvolvidas para o sistema, o BC já estabeleceu os padrões técnicos para as plataformas, através de resoluções e normativas publicadas ao longo de 2020.

Mas essa guerra não é  recente. A iniciativa do open banking fez com que os grandes bancos torcessem o nariz para a novidade desde o começo. Como informa a Folha, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, confidenciou que os bancos queriam “vantagens” no novo sistema:

“Com relação ao open banking, existiu uma resistência maior em relação à governança, bancos maiores queriam ter mais governança porque tinham mais participação no mercado”

A primeira etapa do open banking deve compartilhar apenas os dados das instituições sobre seus produtos e serviços mais comuns, como contas de depósito, poupança, contas de pagamento e operações de crédito.

Na segunda fase, marcada para começar em 31 de maio, as instituições devem compartilhar dados cadastrais e transações. Já a terceira, em agosto de 2021, deve liberar dados de serviços de transações de pagamento e propostas de operações de crédito.

O sistema terá sua última fase em 25 de outubro do próximo ano, com o compartilhamento total dos dados financeiros, incluindo câmbio, investimentos, previdência e seguros.

Como noticiou o Cointelegraph Brasil, espera-se que mais de 400 instituições financeiras adotem o open banking até o fim de 2021.